Artigos
Fev/2010
Perdas são de até 80%
Enio Bergoli*

Nos últimos meses, vivenciamos uma intensa anomalia climática no nosso Estado. Neste que deveria ser o tradicional período das águas, as precipitações foram poucas e muito irregulares, chamadas “chuvas de manga”. Na média, de novembro até o momento, choveu por aqui menos da metade do esperado para o período, na maioria de nossas regiões. Para agravar o quadro, no mês de janeiro, a média das temperaturas máximas ficou entre 2 e 4 C° acima da media histórica.
A falta e a irregularidade das chuvas, aliadas às elevadas temperaturas, provocam a redução da produção agropecuária, com prejuízos nas propriedades rurais que variam de 10 a 80% conforme o produto, e o sistema de produção empregado. Vale lembrar que a agricultura é a atividade econômica mais sensível às adversidades climáticas.
Neste momento, duas ações emergenciais para o enfrentamento da seca estão em andamento. Os municípios mais afetados devem iniciar o processo para a decretação de situação de emergência, o que facilita e acelera procedimentos públicos para aquisições e contratações. A outra ação emergencial é a prorrogação ou negociação de dívidas de crédito rural. O governo do Estado já pactuou essa medida com os agentes financiadores. Os agricultores afetados devem procurar as agências onde o crédito foi contraído, contando com o apoio dos escritórios do Incaper e dos sindicatos que atuam no rural. Para os agricultores familiares, há ainda a possibilidade de acionar o seguro Proagro.
Contudo, são as ações estruturantes que possibilitam a convivência com essa e com as inúmeras secas que, infelizmente, ainda estão por vir. Em resumo, devemos ter em mente que não há produção agrícola sem água e que solos muito expostos, com pouca cobertura vegetal, não conseguem boa armazenagem. E o solo é o nosso grande reservatório de água.
Armazenar água por meio da construção de barragens individuais e coletivas, utilizar variedades que toleram o déficit hídrico, priorizar sistemas agroflorestais e plantios mais adensados ou sombreados são exemplos de ações estruturantes para conciliar a falta de chuvas com a produção agrícola.
Hoje há uma parcela de agricultores que já adotam essas e outras medidas estruturantes, boa parte advinda de programas conduzidos elo governo do Estado, com recursos próprios ou de crédito rural. E são justamente esses produtores rurais que têm os menores percentuais de perdas de safras em épocas como esta.
Precisamos, definitivamente, conciliar a geração de renda no campo, via adoção de tecnologias que usem menos água e energia, com a recuperação e preservação dos recursos naturais. A solução dessa equação será uma vitória de todos e um legado que deixaremos.
*Enio Bergoli é secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca.
Foto de Romero Mendonça.
|