
Artigos Out/2009
O Engenheiro Agrônomo e o desenvolvimento capixaba Wolmar Roque Loss*
O esforço de simplificação, portanto, deve ser entendido como minha homenagem aos amigos e colegas da agronomia, poupando-lhes o tempo e economizando-lhes energias da leitura, até mesmo porque da história todos têm domínio e da agronomia todos são mestres.
Considero o maior erro de nossa história o início tardio da valorização do conhecimento e das ciências agronômicas, o que não nos permitiu avançar mais consistentemente no desenvolvimento de nossa agricultura capixaba.
Propositadamente, incluí, no título, o desenvolvimento capixaba em contraposição ao desenvolvimento rural. Nós, engenheiros agrônomos, somos credores, junto com os produtores rurais, dos avanços econômicos e sociais alcançados pela sociedade capixaba, o que não é pouco se considerarmos que o Espírito Santo, no início da colonização, fora vendido ao baiano Francisco Gil de Araujo pelo preço que hoje daria para comprar uma fazenda de 200 hectares.
O início do processo de valorização do conhecimento como condição indispensável ao progresso técnico da agricultura, é marcado principalmente pela criação da Escola Prática de Agricultura de Santa Teresa, pelo Instituto Agrícola de Maruípe, pelo Instituto Biológico e pela Estação Experimental de Sericicultura em Vargem Alta. Registre-se que os agrônomos do Ministério da Agricultura e o IBC tiveram presença importante no desenvolvimento da agricultura capixaba, especialmente até os anos 80.
A criação da Escola Superior de Agronomia do Espírito Santo em 1971, hoje CCA-UFES, coroa o reconhecimento da importância da formação profissional. Sintetiza o entendimento da sociedade de que o nosso desenvolvimento mais harmônico não pode prescindir do conhecimento, tecnologias e interação ciência-prática-resultados, desenvolvidas em território capixaba.
Ao flagelo da erradicação do café dos anos 60, teve início com os agrônomos do IBC nos anos 70 o esforço de renovação. A diversificação foi estimulada com a pecuária leiteira, a olericultura e a fruticultura. A silvicultura avançou, com a introdução da seringueira e com os plantios florestais dos Programas de Extensão e Fomento Florestal.
A institucionalização do INCAPER e do IDAF marcam a maior contribuição do Engenheiro Agrônomo ao processo de evolução da agricultura capixaba entre os anos 70 e 80, sintetizando o esforço de construção de novos padrões tecnológicos para superar a perda da fertilidade natural da terra e estabelecer novos procedimentos de manejo de solos, pragas e doenças.
Certamente, pelos conhecimentos acumulados ao longo da história do Espírito Santo e pela competência, espírito público e dedicação ao trabalho que marcam a conduta dos Engenheiros Agrônomos, estamos prontos para novos desafios.
*Wolmar Roque Loss é Engenheiro Agrônomo, Mestre em Economia Rural e Desenvolvimento Econômico. |
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