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10 de outubroo de 2011

 

DISCURSO NA SESSÃO SOLENE DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA

 

Discurso proferido pelo Eng Agrônomo José Adilson de Oliveira


Presidente da Sociedade Espiritossantense de Engenheiros Agrônomos – SEEA

 

Sessão Solene e IV Encontro de Profissionais realizados na Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo no dia 10/10/2011 em Homenagem ao Dia do Engenheiro Agrônomo 2011, Vitória-ES.

 

Hoje é dia de festa para os Engenheiros Agrônomos, para os Amigos da Agronomia e convidados e para o Setor Produtivo Rural. Por isso, faremos o possível para não nos alongarmos muito na fala.

 

Entretanto, como temos feito ao longo destes dois anos e pouco à frente da Sociedade Espiritossantense de Engenheiros Agrônomos, é preciso aproveitar todas as oportunidades que surgem para conscientizarmos a sociedade capixaba, das contribuições que a classe agronômica e demais profissões das ciências agrárias, em parceria com o produtor rural, têm dado ao desenvolvimento sustentável do estado do Espírito Santo e do Brasil.

 

Com simplicidade e sem arrogância, temos divulgado algumas de nossas realizações buscando corrigir as informações incorretas, injustas ou exageradas sobre o Setor Produtivo Rural, do qual a Classe Agronômica está estreitamente ligada, divulgadas pela mídia aparelhada pelo movimento dos pseudoambientalistas.

 

Senhoras e Senhores, o Brasil utiliza hoje, tecnologia agropecuária própria e de “ponta”, desenvolvida por nós brasileiros e, por meio dela, conseguimos triplicar a produção de grãos do país, poupamos mais de 60 milhões de hectares de florestas e garantimos o superávit da balança comercial do país há vários anos.

 

Graças ao sucesso do agronegócio, seja ele de base empresarial ou familiar, a população brasileira triplicou seu poder de compra de alimentos básicos nos últimos anos.

 

Desta forma, estamos convictos de que, pelo menos até agora, nós Engenheiros Agrônomos, cumprimos e muito bem nossa missão profissional. Mas os tempos são outros.

O fantasma da insegurança alimentar ameaça voltar e, FAO alerta que existem cerca de um bilhão de pessoas passando fome e estima um aumento de 70% na demanda total de alimentos no mundo até 2050. Portanto, temos que produzir alimentos para esta gente.

No entanto, a sociedade contemporânea exige que os empreendimentos produtivos atuais sejam implementados respeitando preceitos éticos e de sustentabilidade, o que transforma a tarefa num desafio monumental.

 

Diversos caminhos são apontados pelos estudiosos, mas é preciso cautela e não devemos minimizar o problema. Observem as Senhoras e os Senhores:

 

- O aumento da produtividade pela via tecnológica, que aumentou a produção e assegurou o sucesso da Revolução Verde mostra sinais de diminuição de ritmo nos últimos anos e, reverter esta tendência exigirá elevados e permanentes investimentos;

 

- Alguns fatores de produção da agricultura, em especial, a água e a energia elétrica, estão ficando cada vez mais escassos e caros, além da pesada carga tributária e dos elevados encargos trabalhistas que desestimulam o aumento da produção rural;

 

- Por outro lado, determinadas tecnologias e a questão do uso do solo produtivo esbarram no radicalismo ambientalista como é o caso dos organismos geneticamente modificados e da atualização do Código Florestal.

 

Neste último caso, nossos Deputados Federais cumpriram bem seu papel e dos 10, que compõem a bancada capixaba, apenas um votou contra o Relatório do Dep. Aldo Rebelo.

Agora, cabe aos ilustres Senadores fazerem sua parte e ousamos sugerir que ouçam o Setor Produtivo Rural e a Classe Agronômica, antes de se deixarem levar pelos paradigmas osquestrados de fora ou idealizados por quem considera as demais regiões do Brasil como extensão da Amazônia. São mundos distintos.

 

Não defendemos o desmatamento e a agricultura brasileira não precisa desmatar para produzir mais. Entendemos apenas que, o desmatador ilegal da floresta Amazônica nos tempos atuais, deve ser tratado como criminoso ambiental sim, mas quem desmatou a Mata Atlântica ou o Cerrado, no século passado, sob o incentivo do Governo Federal, não pode ter o mesmo tratamento pois, na verdade, ajudou a salvar nosso pais de um colapso socioeconômico;

 

- Outro caminho apontado pelos formuladores de políticas públicas é o aproveitamento das terras degradadas o que é altamente salutar, mas sua implementação na prática não é tão simples quanto parece;

 

- Desta forma, entendemos que todas as alternativas citadas para aumentarmos a produção de alimentos sem agregação de novas áreas naturais devem ser consideradas, mas enxergamos como prioridade número um, a busca do aumento da produtividade média, por meio da redução da chamada “distância tecnológica” ou “diferença de nível tecnológico” entre os diversos segmentos de produtores.

 

Não podemos, Deputado Atayde Armani, continuar deixando a maioria dos produtores de café conilon (a vedete dos produtos capixabas), produzindo menos de 20 sacas por hectare enquanto temos tecnologia para produzir, de maneira segura, cerca de 80 sacas por hectare.

 

Não atentar para isto é perder oportunidade de formular política pública de qualidade para o Setor Produtivo Rural pois, se já temos a tecnologia para diversos arranjos produtivos, agora basta investir, com inteligência, em assistência técnica e extensão rural de qualidade, tanto no âmbito público quanto privado, para levar a tecnologia gerada a um maior número de produtores rurais.

 

Se cada propriedade rural do Espírito Santo fosse assistida por um Engenheiro Agrônomo e demais colegas das ciências agrárias, com certeza absoluta, realizaríamos uma nova e sustentável Revolução Verde neste estado e, todos sairiam ganhando: o produtor rural, o estado, a classe agronômica e a sociedade em geral.

 

Neste sentido temos que aplaudir o Governo pelos concursos do IDAF e do Incaper. O que o Governador Casagrande nos prometeu em audiência no mês de Abril deste ano está sendo cumprido. Entretanto, Dr Aureliano Costa, consideramos tímido o número de profissionais das ciências agrárias para o INCAPER e, não podemos deixar de fazer objeções ao não pagamento do Salário Mínimo Profissional.

 

O estado do ES tem tudo para dar mais um bom exemplo ao Brasil adotando o SMP em todas as suas esferas, como fez corajosamente, o Prefeito Leonardo Deptuski na Prefeitura de Colatina, incentivado pelo Presidente do Crea-ES, nosso amigo Luis Fiorotti, um dos homenageados desta noite.

 

Assim, Senhoras e Senhores, como Presidente da Sociedade Espiritossantense de Engenheiros Agrônomos, entidade que em Abril deste ano, completou 53 anos de efetiva contribuição ao desenvolvimento do estado do Espírito Santo, na comemoração antecipada de nosso dia, não poderia deixar de aproveitar esta oportunidade para mostrar, a tão seleto público, quais são os verdadeiros obstáculos para o aumento da produção e barateamento dos alimentos e, também chamar a atenção dos colegas para as belíssimas perspectivas de futuro que se abrem para nossa profissão!

 

Finalizando minha fala:

 

Agradeço profundamente ao Deputado Estadual Atayde Armani, que prova a cada ano, ser um verdadeiro Amigo da Agronomia e do Setor Produtivo Rural;

 

Agradeço também aos colegas da Diretoria, Conselhos e Representantes de Núcleos Regionais da SEEA e, em especial, ao colega José Roberto Silva Hernandes da Comissão de Agricultura desta Assembléia Legislativa e à gentil e eficiente equipe de Gabinete do Dep Atayde Armani;

 

Agradeço ainda aos apoiadores do IV Encontro de Profissionais;

 

E em nome da SEEA parabenizamos os homenageados e agradecemos a presença de todos vocês;

 

Por fim, nosso abraço fraterno a todos os colegas pelo Dia do Eng. Agrônomo.

 

Muito obrigado pela atenção de vocês!

 


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